Mesmo inúmeras vezes criticando a postura da artista, uma coisa que não podemos esconder é que Fernanda Brum é uma excelente cantora. Seus trabalhos são sempre inovadores. (Já sei que vão me taxar de tiete da popstora, mas dessa vez tiro o chapéu pra ela).
Nem a enxurrada de lançamentos envolvendo o nome da artista, nos últimos meses. Atrapalhou o lançamento deste novo trabalho.
Antes de mais nada aviso, que não gostei do CD na primeira vez em que escutei, pareceu tão lento. Mas aí ouvindo mais umas duas vezes deu pra concluir que é bom.
O disco começa com a canção "A Tua Glória faz". Canção de trabalho do CD, que traz aquele momento melancólico já conhecido em trabalhos anteriores de Fernanda. A letra da canção foi muito bem escrita, e ao final a música ganha certa "vida".
"Canta Minh'Alma", traz outra identidade da cantora que tem influências de rock. A canção é um pouco mais dinâmica que a primeira, tanto em ritmo quanto em letra. Fala sobre entrega. Não muito diferente, e seguindo a linha pop rock, "Vem sobre mim", é uma verdadeira oração ao Espírito Santo.
Lembram que anunciaram que iria ter canções com ritmo baiano? Pois é, acho que "Eu quero ir além" era pra ser uma delas. A primeira canção um pouco mais descontraída do CD, passa uma mensagem que é praticamente a mesma das canções anteriores. Talvez se tivessem convidado o Olodum para participar, a bateria que acompanha a canção ficaria excelente. Mas "tá dando pro gasto" (rsrs).
Em seguida, "Enquanto eu chorava" vem com o famoso tecladinho melancólico (rs), presente nas duas primeiras canções e no Cura-me. A canção vai ficando mais encorpada ao longo e fala do que Deus fez enquanto ela orava na alta madrugada. Não é ruim, mas indiferente.
A sexta canção é sem dúvidas a melhor do CD. Com participação do coral Renovasom e de Jairo Bonfim, "A Glória do Pai" é aquele tipo de canção para cantar com o coral da igreja, no grupo de louvor... É aquela música que dá o Up no repertório, sabe?? A canção fala da Glória, e dos milagres de Deus. O vocal de um modo geral, abrilhantou a música do começo ao fim e o toque latino na introdução e interlúdios também dão um "quê" especial.
Em mais um momento rockeira, Fernanda interpreta "Máscaras". Prova de que nem os melhores trabalhos se livram das famosas músicas "enche lingüíça".
Por um momento levei um susto!! Pensei que estava prestes a escutar Fernanda Brum cantando Macarena (rsrs). "Pavão Pavãozinho" tem um toque inicial que lembra muito a canção secular "boom" dos anos 90, interpretada por "Los del Rio". Esta é mais uma daquelas onde a popstora protesta a favor dos "descamisados", como diria Evita Perón. A música é gostosinha de ouvir, um misto de ritmos bem empolgante, lembra Skank.
Recado para Fernanda: na próxima vez que você entrar numa favela ou visitar os ribeirinhos, tira uma foto e me manda!!
"A visão da Glória", mais uma do tecladinho melancólico do pastor Emerson. Música de adoração, meio chatinha no começo. Prefiro a amiga Eyshila adorando, (rsrs).
A pedra da tumba rola e eis que ressurge Ludmila Ferber, para uma participação especial na canção "Meu melhor amigo". Excelente canção de adoração, com destaque para a segunda voz de Fernanda. A música caiu como uma luva para a Pra. Ludmila que é expert neste estilo voz e violão, uma das melhores do álbum.
Na faixa seguinte, "No sangue e no Fogo", temos a popstora plagiando a expressão "Ziguezagueando" de Klebinhu. Outra canção com vocal bem presente, e que traz o estilo mais congregacional de Fernanda, ficou excelente! " Ele é general de guerra e nós somos labaredas. Andando pelo fogo, fogo. No sangue e no fogo, fogo".

Num som mais "black music",
"Ninguém vai me segurar" é uma canção animada com uma mensagem de determinação bem pra cima. A guitarra presente dá um toque especial junto ao vocal.
"Serpentes no Deserto", tem um estilo bem diferenciado e um cello solando, que dá o charme da canção. A interpretação da Fernanda é ótima.
E mais uma vez o teclado melancólico de Sr. Emerson toma conta. "Um dia desses" é mais uma linda canção, tanto em letra quanto em melodia. Bem tranquila, só Fernanda, teclado e cordas.
Para fechar o álbum, "A Glória do Pai" volta só com o coral dando uma palhinha. E que palhinha!!!
O CD está muito bom, Fernanda consegue superar o álbum anterior e projetar o Glória, para mais um grande sucesso. A interpretação da popstora, não deixa nada a desejar.
A produção musical, merece um parágrafo a parte. Emerson Pinheiro tem se superado cada vez mais, os arranjos estão cinematográficos, como diria Maurício Soares. Destaque para as cordas, o piano e vocais.
As letras das canções também merecem destaque, lembrando que maioria delas foram escritas em momentos de Fernanda com Deus. Está bem poético.
Com tanto brilho nesse trabalho, nem vou comentar o projeto gráfico da capa, para não ter que descontar estrelas (rsrs).
Enfim, até merece ganhar o Grammy Latino. Só não vale ser orgulhosa, ok Brum?
Destaque para: "A Tua Glória faz", "A Glória do Pai", "Meu melhor amigo", "No sangue e no Fogo", "Serpentes no Deserto", "Um dia desses" e para o bônus de "A Glória do Pai".
Estrelas (de 0 a 5): 5 estrelas para um trabalho de uma verdadeira artista. Nem a pouca simpatia da cantora tira seu mérito. Vale muito a pena comprar.
Lembrando que parte das vendagens do CD vai pra caridade.
E que venha mais um DVD de Fernanda Brum.