Elaine de Jesus é uma cantora pentecostal consagrada no mercado gospel brasileiro. Seus álbuns de maior sucesso, "Muito Especial", "Até o Fim" e "Pérola" levaram cantores, corais e círculos de oração cantarem suas canções pelo país inteiro.
Sempre inovando, a nossa "Barbie penteca" mostra muito bom gosto em seus trabalhos. Talvez com tanta inovação, Elaine percebeu a necessidade de voltar as origens, com um pentecostal mais simplificado (já era hora!!).
Em 2010, Elaine foi a primeira cantora pentecostal a assinar contrato com a Sony Music que iniciava suas atividades no mercado gospel nacional. Ela estreou na casa com o álbum "Celestial".
A capa do álbum, sem muitas novidades, é bonita. O encarte é praticamente um book da cantora, que se destaca sempre em seus ensaios fotográficos, mas é claro que até as mais bonitas precisam de uma besuntada...
Em relação as canções, um repertório modesto, na linguagem pentecostal simples, que está em alta (o que eu acho perigoso, num momento em que temos ouvido todos os tipos de aberração em letras de músicas por aí).
A produção musical é de Ronny Barbosa, que já trabalhou em produções de Cassiane, etc.
Para quem ouviu "Pérola", "Sala do Trono" e "Transparência", o Celestial pode soar um pouco estranho na primeira "ouvida", mas o choque é pela simplicidade dos arranjos e letras, logo você se acostuma, rs. O backing vocal é ótimo e em mais um trabalho é um brilho a parte no trabalho. O fato dos arranjos serem simples, não quer fizer que são ruins. Pelo contrário, os arranjos são bonitos.
Na faixa 1, temos o single do disco "Pode ser você", que na minha opinião "dá um susto". É desse tipo de aberração a que me referia ali em cima. Quando compositores atacam em colméias, vulcões e metamorfose das borboletas, alguém resolve invadir um parque de diversões e fazer a roda gigante girar... Pelo visto o single não pegou e muito menos combinou com o jeito sofisticado que Elaine sempre manteve.
Para mim, o disco começa a partir da segunda canção, "Deus visitou Sua Casa". A canção faz referência a problemas que as vezes enfrentamos em nossas casas, mas que Deus está entrando com providência. Gostosa de ouvir, a música parece ter conquistado o público da cantora. Com aquela levada pentecostal, a canção repete várias vezes a frase: "Deus visitou sua casa, Ele entrou com providência".
Em seguida temos a faixa título do CD "Celestial". Uma belíssima canção de Rogério Jr. A música trata Jesus como tema principal, desde menino, falando de seu ministério e de quando se entregou na cruz por nós. No refrão, fala sobre quando Ele voltar, e todo joelho se dobrar, e aí então teremos a oportunidade de agradecer por tudo o que Ele nos fez. Com certeza, ótima canção para levar o nome do CD. Ainda temos Elaine declamando sobre a crucificação. Dá vontade de apertar o replay e mandar ver, rs.
A quarta música "Shekinah", lembra o estilo do hit "Terremoto Santo", da cantora. Fala sobre a glória de Deus e seu poder. A canção tem tido bastante destaque pelas igrejas.
"Digno" é talvez uma das melhores canções escritas por Agaílton Silva (não em termos de sucesso, mas de conteúdo). A música é pura adoração pentecostal, muito gostosa de ouvir, tanto pela sua levada quanto pela letra. Gruda na memória e foge daquele formato do compositor que ja estamos cansados de ouvir.
Outra canção que não peca em letra é "Vida no Altar", principalmente no início. É uma canção que transporta a gente para um outro lugar. É outra balada pentecostal, aliás, todas até aqui são assim. "Vida no altar não abre mão da santidade. Vida no altar não desvia da verdade. Vida no altar, uma questão de comunhão com Deus", é parte do refrão.
A única música não produzida por Ronny foi "Não nos prostraremos". Quem assina é Emerson Pinheiro, marido de Fernanda Brum. Com uma levada mais lenta, é uma canção de adoração que faz menção da passagem dos 3 jovens na fornalha de fogo, que foram jogados por não se prostrarem diante da imagem do rei. É uma música que tem agradado bastante o público de EJ.
A oitava faixa, era inicialmente o título do CD, "Luz" é a primeira agitada do repertório. Muito envolvente pelo seu ritmo, a letra fala sobre a luz que vem de Deus, que transforma as trevas em luz. Diz que o Senhor é a nossa luz e salvação. Ótima canção. Destaque para o vocal, a percussão que dá um toque especial na introdução e interlúdios, o metal e as guitarras. É uma das melhores do álbum.
Voltando às baladas pentecas, básicas (rs), "Deus da Providência", é aquela canção que você tem a impressão de ter ouvido já centenas de vezes. Porque tem ALGUMAS canções pentecas que parece que só trocaram a letra, e as vezes nem a letra, rsrs. Tudo muito igual, mas essa é legalzinha.
Como participação especial, eis que das cinzas ressurge Lauriete, de uma forma surpreendente, cantando sem gritar. "Som de Adoração" é mais uma balada penteca com traços comuns. Porém, o vocal na introdução dá um ar bem diferente e interessante. Na segunda estrofe, surge Lauriete interpretando de forma firme e mostrando que não é só de berros que se faz uma canção pentecostal. Dá até vontade de dar um replay.
Minha pergunta é: "É tremendo", é um plágio ou uma modificação da música gravada por Suellen Lima? E por sinal, segura o troféu de enche lingüiça do CD.
"O Casamento" não é nenhuma canção romântica e muito menos com a participação do marido dela. A canção fala de quando Jesus vier arrebatar a sua igreja como noivo dela. A letra da canção é linda, mas é outra balada pentecostal, como já disse, tudo muito igual. Destaque mais uma vez, para a declamação de Elaine de Jesus sobre o arrebatamento.
A segunda música agitada e único forró do CD, volta aos primórdios em estilo. "Ligado no Céu", tráz aquela sanfona rasgada ao melhor estilo Andrea Fontes. Saudades dos forrós do Jairinho no tempo de "Deus vai agir" e "Explodir de Poder".
Para fechar o disco, nada de chave de ouro. "O Dia", é mais uma balada pentecostal manjada, a impressão que deu é de que precisavam fechar 14 canções no repertório, ou seja, encheram a lingüiça de novo.
Há quem diga que Elaine de Jesus jamais conseguirá gravar um CD como "Pérola", aí parei para analisar porque esse disco fez tanto sucesso??
Porque foi nele que Elaine mostrou toda sua autenticidade. O álbum mesclava vários estilos com uma cara pop/ pentecostal bem arrojada, compositores talentosíssimos. Dalí para frente ela exagerou, trocou de produtor e talvez esse tenha sido o seu grande erro.
Confesso que por ser um CD pela Sony, esperava um pouquinho mais desse trabalho. Valeu voltar as origens no penteca mas, não precisava colocar 14 canções quase que com a mesma cara.
Já posso ver a enxurrada de comentários de fãs da Barbie me detonando, mas é isso aí. Pra mim na escala de melhores cantoras pentecostais que temos, Elaine é uma das que ocupam o topo. Ela só precisa tomar uma água, respirar e ser Elaine, sem exageros.
Contudo, quero destacar o esforço da cantora na divulgação desse álbum. Sentimos uma Elaine de Jesus mais próxima do público, ela tem uma coisa que poucas famosas têm, simpatia espontânea.
Destaque para: "Deus visitou Sua Casa", "Celestial", "Digno", "Vida no Altar", "Não nos prostraremos" e "Luz".
Estrelas (de 0 a 5): 4 Estrelas para o álbum que pecou no exagero das baladas pentecas e na falta de variedade de estilos. Acertou muito em voltar a origem pentecostal. Quam sabe não venha um 5 estrelas em 2012, afinal, do ao vivo pra cá, ela já subiu um degrau.
Vale a pena comprar? Vale sim! É um álbum bem pentecostal, bem arranjado e tem unção.
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